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As quatro esposas - uma fábula

por Ivelise Amato

Em um distante país do Oriente, há muitos séculos atrás, vivia um rei que tinha 4 esposas.

À quarta esposa ele amava profundamente. Fazia-lhe todas as vontades; era aquela cujo leito mais freqüentemente visitava. Não lhe deixava faltar nada, adivinhava cada um dos seus desejos e seu maior prazer era satisfaze-los.

A terceira esposa era também profundamente amada. Ele a cobria de riquezas: jóias, belas vestimentas de seda, palácios. Seu único receio era que, um dia, ela o abandonasse por outro que lhe pudesse oferecer maior abundância do que ele, pois ele adorava acumular e desfrutar da riqueza.

A segunda esposa era também afetuosamente amada pelo rei. Ela adorava estar cercada de pessoas, de amigos, de cortesãos. Para ela o rei promovia festas, caçadas, caravanas, passeios...tudo para fazê-la feliz ao seu lado e jamais abandoná-lo. Era sua confidente, sua melhor amiga.

A primeira esposa amava profundamente o rei. Era uma parceira leal e fazia tudo o que estava ao seu alcance para manter o rei rico e poderoso e o reino próspero e feliz. Porém, este havia apenas se acostumado com ela: não a amava. Não lhe dava atenção; não freqüentava o seu leito, não lhe dava jóias nem riquezas nem festas. Ela simplesmente estava lá.

Um belo dia, o rei ficou gravemente doente e sentiu que seu fim estava próximo.

Pensou em sua vida de prazeres e divertimentos com suas esposas. Agora, que estava às portas da morte, será que poderia contar com o amor daquelas a quem ele tanto amara?

Chamou a quarta esposa e, dizendo-lhe que estava morrendo, perguntou-lhe:

"Sempre te amei, você foi a minha favorita. Seria você capaz de me acompanhar na minha morte?"

"De jeito nenhum!" Respondeu a quarta esposa - e saiu do quarto sem nem sequer olhar para trás.

Aquela resposta foi como uma faca afiada cravada no coração do rei.

Chamou então a terceira esposa, fazendo-lhe a mesma pergunta.

"Absolutamente!" Respondeu a terceira esposa. "A vida é muito boa; assim que você morrer, vou tratar de me casar de novo!"

Aquelas palavras marcaram o rei como ferro em brasa.

Fez a mesma pergunta para a segunda esposa, que retrucou:

"Sempre fui sua amiga, sua confidente; mas agora não posso fazer o que me pede. O máximo que posso fazer por você é enterrá-lo."

Mais uma vez, o rei se viu mortalmente atingido por essas palavras.

Ouviu então uma voz que lhe dizia:

"Eu irei com você para onde você for; nunca o abandonarei."

Levantando os olhos, o rei deparou com sua primeira esposa: feiosa, malcuidada, desnutrida...

Com lágrimas nos olhos, o rei disse:

"Eu deveria ter cuidado melhor de você enquanto era tempo..."

Na verdade todos nós temos essas quatro esposas em nossas vidas.

A quarta é nosso corpo. Apesar de todos os nossos esforços para mantê-lo saudável, bem nutrido, ele será o primeiro a nos abandonar na hora da morte. É claro que o cuidado com o corpo é de extrema importância, pois é ele que nos permite a realização da Vida; mas o excesso de cuidados com ele nos torna fúteis. Dar prioridade ao corpo é caminhar sozinho para a morte...

A terceira são os bens materiais. Eles também são importantes para o nosso conforto e bem estar durante a vida; mas apegar-se a eles é inútil pois, quando morrermos, eles serão distribuídos para outras pessoas. Também não nos acompanharão na nossa morte...

A segunda são nossa família e nossos amigos. Cultivar a harmonia, a solidariedade, a amizade, o amor é fundamental para nossa felicidade na terra. No entanto, por mais que nossos relacionamentos nos prateiem quando de nossa morte, o máximo que eles podem fazer é nos enterrar - e tocar suas vidas para a frente. Nenhum deles vai "morrer de saudades" por nossa causa...

A primeira esposa é a nossa ALMA. Muitas vezes esquecida, deixada de lado em função do prazer, da riqueza, do poder, da satisfação do nosso Ego. No entanto, ela é a única que nos acompanhará na vida e na morte, seja lá para onde formos...

Cuidemos de nosso corpo; busquemos os bens materiais necessários ao nosso conforto e bem estar; cultivemos amigos sinceros e leais. Mas não nos esqueçamos de cultivar, fortalecer, nutrir, enobrecer a nossa ALMA. Deixemo-la brilhar, pois o seu brilho fará o mundo mais brilhante.

Se quisermos mudar o mundo, comecemos mudando a nós mesmos!

Ivelise Amato é pedagoga e economista. Consultora Organizacional e ex-Professora Universitária na FATEC-SP e . Ministra, em parceria com o Prof. Sérgio Benedetti, o curso de Cibernética Mental e Desenvolvimento do Quociente Espiritual.


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